O setor de TICs está debatendo as linhas de uma proposta de estratégia digital nacional, focada em aumentar a importância da tecnologia para o PIB. A expectativa é de que, com uma estratégica nacional, colocada pelo governo, o país possa avançar em diversas frentes que permitam ampliar a proporção do setor no PIB para 8% em alguns anos. A expectativa foi apresentada por Affonso Nina, presidente da Brasscom, associação que reúne 77 empresas de TICs.
Do bolo que é o PIB de TICs, a Brasscom segmenta TIC (que reúne software, nuvem, serviços, BPO, consultorias, estatais e exportações), TI in House (o uso nas empresas com outros objetos sociais) e Telecom (voz, celular, dados e serviços de implantação). Telecom foi o segmento que menos cresceu: apresentou variação de 2,7%, com produção de R$ 285,2 bilhões. Representou, portanto, 2,6% do PIB. Já TI in House movimentou R$ 74,3 bilhões, ou 0,7% o PIB. Mas cresceu mais: 6,4%. Enquanto TIC correspondeu a R$ 348,2 bilhões, 3,2% do PIB, e teve alta de 8,5%.
A Brasscom é uma das principais defensoras da continuidade de política de desoneração da folha de pagamentos para 17 setores empresariais, entre os quais, TICs e call centers. Segundo Nina, os números atuais mostram que a opção fiscal é necessária por conta da competição com o mercado externo, que tem contratado brasileiros para trabalho remoto, e da reforma tributária, que estimulará a pejotização.
Para este ano e os próximos três anos, a Brasscom estima que os investimentos em Transformação Digital no Brasil vão somar R$ 729,4 bilhões, alta de 19,4% ao ano. O grande volume destes recursos será canalizado por empresas e governos a Nuvem (R$ 258,1 bilhões), Segurança da Informação (R$ 177,8 bilhões), e Inteligência Artificial (R$ 139,3 bilhões). As contas são da associação com base em estimativas da consultoria IDC.
Outra frente do setor, o de mobilidade, dados e banda larga, vai movimentar outros R$ 702,8 bilhões do quadriênio, crescimento de 2,9% ao ano.